Em oposição à vertente mais tecnicista, esportivista e biologista surgem novos movimentos na Educação Física escolar a partir, especialmente, do final da década de 1970, inspirados no novo momento histórico social por que passou o país, a Educação e a Educação Física.



Atualmente coexistem na área da Educação Física várias concepções, todas elas tendo em comum a tentativa de romper com o modelo mecanicista, esportivista e tradicional. Dentre elas podemos destacar:
• Humanista;
• Fenomenológica;
• Psicomotricidade;
• Baseada nos Jogos Cooperativos;
• Cultural; 
• Desenvolvimentista;
• Interacionista-Construtivista;
• Crítico-Superadora;
• Sistêmica;
• Crítico-Emancipatória;
• Saúde Renovada;

• Baseada nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs/Brasil,1998)

Em todas essas formas de se pensar a Educação Física na escola há um número razoável de interlocutores e publicações.

Para as finalidades desse curso optou-se por analisar mais detalhadamente as abordagens:

• Psicomotricidade,
• Desenvolvimentista,
• Construtivista, 
• Crítico-Superadora, 
• Crítico-emancipatória, 
• Saúde Renovada
• PCNs.

Provavelmente essas tenham tido um papel relevante na construção do pensamento pedagógico nacional, embora todas as citadas tenham contribuído bastante para a o âmbito da Educação Física escolar.

Psicomotricidade


A Psicomotricidade é o primeiro movimento mais articulado que surge a partir da década de 1970 em contraposição ao modelo esportivista. Nele o envolvimento da Educação Física é com o desenvolvimento da criança, com o ato de aprender, com os processos cognitivos, afetivos e psicomotores, ou seja, buscava garantir a formação integral do aluno (Soares, 1996).

Na verdade, essa concepção inaugura uma nova fase de preocupações para o professor de Educação Física que extrapola os limites biológicos e de rendimento corporal, passando a incluir e a valorizar o conhecimento de origem psicológica.

O autor que mais influenciou o pensamento psicomotricista no país foi sem dúvida, o francês Jean Le Boulch, por meio da publicação de seus livros, da sua presença no Brasil e de seus seguidores, presentes em várias partes do mundo. Mesmo antes da tradução das suas primeiras obras, alguns estudiosos tomaram contato com suas idéias em outros países da América Latina freqüentando cursos e mantendo contatos pessoais.

Para a construção das suas idéias Le Boulch inspirou-se em autores que já tinham uma certa penetração, senão na Educação Física, em outros campos de estudos. Entre eles, podem ser citados os trabalhos de J. Ajuriaguerra, Jean Piaget, P. Vayer, H. Wallon, e Winnicott.


Você já ouviu falar em coordenação espaço-temporal? Esquema corporal? E lateralidade? Você se lembra destes termos? Eles foram cunhados por autores que defendiam a Psicomotricidade

É importante salientar que a Psicomotricidade foi e é indicada não apenas para a área da Educação Física, mas também para psicólogos, psiquiatras, neurologistas, reeducadores, orientadores educacionais, professores e outros profissionais que trabalham com crianças. Talvez seja por isso mesmo que é bastante grande a influência dessa abordagem nas escolas normais e nos cursos de pedagogia.

Especificamente, na área da Educação Física é possível observar atualmente a psicomotricidade como disciplina em alguns cursos superiores, alguns livros utilizando esse referencial para a prática escolar e alguns professores participando de associações que agregam especialistas em psicomotricidade.

A sua força e influência na área provavelmente tenha sido mais decisiva no início dos movimentos de crítica ao modelo esportivista, ou seja, no início da década de 1980.

Nesse sentido, em crítica ao modelo esportivista Le Boulch (1986) afirma que: “...a corrente educativa em psicomotricidade tem nascido das insuficiências na educação física que não teve condições de corresponder às necessidades de uma educação real do corpo” (p. 23).

O autor prossegue em suas críticas à Educação Física, ressaltando que: “...eu distinguia dois problemas em educação física: um deles ligados aos fatores de execução, centrado no rendimento mecânico do movimento, e outro, ligado ao nível de controle e de comando que eu chamei psicomotor” (p. 23).

Aliás, uma das marcas da psicomotricidade no espaço da Educação Física tem sido o aumento da popularidade do termo “psico” no discurso da maioria dos professores.


A educação psicomotora refere-se à formação de base indispensável a toda criança, seja ela normal, seja com problemas, e responde a uma dupla finalidade: assegurar o desenvolvimento funcional tendo em conta possibilidades de a criança ajudar sua afetividade a expandir-se e a equilibrar-se por meio do intercâmbio com o ambiente humano.


Le Boulch (1986) acreditava que a educação psicomotora é a base na escola primária. Ela condiciona todos os aprendizados pré-escolares e escolares; leva a criança a tomar consciência de seu corpo, da lateralidade, a situar- se no espaço, a dominar o tempo, a adquirir habilmente a coordenação de seus gestos e movimentos. Na opinião do autor a educação psicomotora deve ser praticada desde a mais tenra idade e permite prevenir inadaptações, difíceis de corrigir quando já estruturadas.

Para Resende (1994) a perspectiva renovadora da psicomotricidade está “...na proposição de um modelo pedagógico fundamentado na interdependência do desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo dos indivíduos, bem como na tentativa de justificá-la como um componente curricular imprescindível à formação das estruturas de base para as tarefas instrucionais da escola” (p. 26).

O discurso e a prática da Educação Física sob a influência da psicomotricidade, conduzem à necessidade de o profissional de Educação Física sentir-se um professor com responsabilidades escolares e pedagógicas. Busca desatrelar sua atuação na escola dos pressupostos da instituição desportiva, valorizando o processo de aprendizagem e não mais a execução de um gesto técnico isolado.

Como seria uma aula prática na abordagem psicomotricista?


Uma atividade que poderia ocorrer numa aula nesta perspectiva é uma na qual os professores espalhariam vários arcos no chão. 

Em duplas, os alunos deveriam vir correndo e arremessar uma bola para o companheiro de dentro do arco com a mão direita.

Em seguida, solicita-se aos alunos que arremessem a bola com a mão esquerda, ainda com os dois pés dentro do arco.

Na mesma disposição os alunos seriam estimulados a arremessar a bola, com um dos pés dentro do arco e outro fora, arremessando ora com a mão direita ora com a mão esquerda.

Deu para visualizar essa aula?

Como você percebe, os alunos deviam pensar para executar as tarefas. As atividades não tinham ligações com a prática esportiva e sim com a melhoria do conhecimento sobre o próprio corpo.

Agora é com você !


Tente lembrar da sua formação na faculdade de Educação Física. Você se lembra de alguma disciplina que tenha discutido os conceitos da Psicomotricidade?

O que você achou mais importante nesta abordagem? Quais são as suas vantagens?

Você consegue pensar em outras atividades práticas nessa tendência?

Em minha formação lembro de ter visto a utilização desta abordagem  em três disciplinas: Desenvolvimento motor, Prática de ensino e didática.

A maior vantagem desta abordagem é o estímulo ao aluno, para pensar, conhecer o corpo, para aprender a coordenar seus movimentos através do que lhe é solicitado.

Atividade: Com alguns elásticos (realizar em espaço aberto ou sala) prender em vários pontos da sala formando uma espécie de túnel. Desafia-se os alunos a passarem de diferentes formas sem encostar no elástico, desenvolvendo assim seu esquema corporal, noção de espaço e atenção.

Fonte: Capacitação Continuada Ministério do Esporte - Projeto Segundo tempo.