O papel educacional da escola vai além do giz, lousa, livro e caderno. Para além das atividades intelectuais, é importante que a criança exercite também o corpo. Esse cuidado corporal ainda na infância é necessário para evitar problemas de saúde, entre eles um dos mais comuns na maturidade: a dor de coluna. 

“As nossas crianças precisam não somente de educação intelectual, mas, principalmente, da verdadeira educação física para se tornarem adultos saudáveis”, afirma o ortopedista e coordenador do Grupo de Cirurgia de Coluna Minimamente Invasiva do Hospital S. José da Beneficência Portuguesa (GCCMI), Pil Sun Choi. A preocupação do médico é fundamentada: depois de adultas, cerca de 80% delas desenvolverão problemas na coluna.

Outro elemento a ser levado em consideração para evitar problemas lombares no futuro é a ajuda no desenvolvimento de uma consciência postural. “É de fundamental importância orientar a prática da boa postura. A criança deve aprender a sentar sempre com a coluna reta e por um período não maior que uma hora, pegar peso flexionando os joelhos e nunca dormir de bruços”, orienta o ortopedista. Segundo ele, tais medidas associadas à prática regular de atividades físicas irão diminuir problemas relacionados ao envelhecimento biológico do indivíduo. “Existem trabalhos que mostram que essa redução pode atingir 80% para doenças degenerativas, como dores nas costas, hipertensão e diabetes e doenças neoplásicas, como o câncer”, diz.

O especialista recomenda que, inicialmente, as crianças sejam avaliadas por médicos para detecção de doenças e que só depois sejam encaminhadas para a prática de atividades físicas regulares. “O educador físico tem a grande responsabilidade de fazer esse trabalho junto aos alunos, que deve começar já na pré-escola e ser continuada durante toda a vida”, detalha. Segundo o ortopedista a modalidade escolhida deve ser compatível com a idade da criança.

“O tipo de atividade física vai depender da faixa etária, porém, como regra geral, recomenda-se a natação, o atletismo e esportes não competitivos enquanto existe imaturidade esquelética, isto é, até os 15 anos”, afirma. Estudo publicado pela revista científica Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine aponta que as crianças que praticam atividades físicas apresentam melhor rendimento escolar. Além disso, os exercícios físicos regulares fortalecem a autoestima e desenvolvem a socialização.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que crianças de 5 a 17 anos pratiquem sessenta minutos de exercícios diários para combater a obesidade, melhorar a capacidade cardiorrespiratória e fortalecer ossos e músculos. “A educação física deve tornar-se obrigatória no seu verdadeiro sentido: por meio de uma avaliação médica inicial e posterior orientação dos educadores físicos para a prática regular de atividades físicas. Infelizmente, muitas escolas ainda não têm essa estrutura”, conclui.



Fonte: Portal da Educação Física
Matéria publicada pelo site Boa Informação